domingo, 31 de outubro de 2010

Adeus


Hoje escrevo em despedida, hoje cansei-me do tudo e do nada. Hoje perdi as cores e os sentidos, hoje tomei coragem para abrir uma porta que em tempos trancada esteve.

Sim, este texto significa um “Adeus” ou até quem sabe um “Até breve”… o que irei fazer? Nem eu mesmo sei, simplesmente sei do que falo pois eu moro aqui ao “lado”. Nem tudo o que passa por mim tem cheiro e cor, nem tudo o que passa por mim tem sempre sabor, pois é sem cor que eu finjo que não existo, é sem cor que eu finjo que não sinto… pois na realidade sei que as vidas que passam, que nos são contadas por vezes são vidas pintadas assim, são cheias de cor, são vidas que passam sem qualquer sabor.

Se a minha cor é o cinzento? Talvez… se irei voltar? Nem o próprio vento o sabe.

Simplesmente peço desculpa e agradeço, desculpa por me sentir assim, por ser sem cor que eu finjo que não sinto, por ser sem cor que eu finjo que não existo. Obrigado pelas amizades que fui encontrando ao longo deste caminho.

Adeus.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Vazio


Hoje acordei, olhei em volta e o que vi foi um vazio envolvido num escuro que tomava e toma conta de mim a cada passar do relógio.

Pensei que talvez isto tudo fosse influência da chuva, do vento ou talvez do céu cinzento que leva com ele o meu sorriso… hoje voltei ao meu mundo de silêncio e solidão, lá procurei o poço que em tempos me deu conforto mas ele já nada me diz, pois eu mudei.

Mudei, pois passei a sentir as pessoas, as cores, o toque e agora o que procuro são respostas. Respostas que talvez o fundo de o poço as tivesse para mim, mas não, a pergunta contínua na minha mente, no meu pensar “o que é o alguém?”.

Tentei procurar nos livros, nos sentimentos, nas pessoas, em mim! Mas a resposta é sempre nada, é sempre uma rua sem saída… até que quando realmente olho vejo que “o alguém” esteve sempre comigo… e ainda por vezes está.

Mas mesmo assim nada muda, pois algo mudou, algo quebrou os portões do meu mundo, algo acabou com o reino do silêncio e da solidão e agora o que resta é isto… o vazio, a escuridão. Se estou a pedir para ser salvo? Nada disso, não vou pedir algo que seja impossível para mim acreditar, simplesmente vou… Simplesmente.

domingo, 26 de setembro de 2010

Puxar


Neste momento ando sem rumo ou tino, neste momento sou o vazio e a distância, neste momento não sei quem sou… se sou quem te adora, se sou o ser que adoras.

O vento puxa por mim e neste momento leva-me de volta ao mundo que jurei não mais voltar, ao mundo onde o silêncio e a solidão reinam sobre um manto de dor, mundo esse que tem como centro o poço que em tempos me dava conforto, poço que me chama para o seu fundo, para o seu leito. Mesmo sendo puxado olho para trás e vejo-te a ti, sim estás presente, sim sinto o teu carinho mas… Mas não sinto o teu desejo, não te sinto quando as lágrimas correm pelo meu rosto.

Hoje metade de mim, quer voltar a ser um viajante ao vento, sem rumo… Hoje metade de mim quer continuar a pertencer-te e repetir a palavra “Amo-te”, mas não posso viver nesta constante de constâncias o resto dos dias.

Pois embora o sentimento conte, os actos também e são eles que dão mais força aos nossos sentimentos… São simplesmente eles. Podia dizer “esquece” mas não.

Estou assim, sem forças… Mas ciente do que sinto por ti, por nós! Ciente que é a ti que quero e não, não mais alguém. Simplesmente digo, simplesmente peço o teu toque.

domingo, 12 de setembro de 2010

Xadrez


Na vida temos escolhas, caminhos, sorrisos, lágrimas, amigos, inimigos… enfim, a pergunta é “o que não temos?”

Hoje enquanto ia para casa, olhei para a janela do comboio, sabem o que vi? A vida a passar por mim, por ti, por todas as pessoas que caminhavam ao som de uma música que me consumia naquela viagem.

Em que pensava? Bem, pensei nos acontecimentos de uma vida curta, pensei no que seria dos outros o meu desaparecimento. Pensei nas novas e antigas amizades, no novo e antigo amor.

“Afinal para que serva este texto?!” perguntam vocês certamente com razão. Podia dizer que este era mais um texto da vida e das suas ditas tristezas, mas não. Este texto é um acumular de lágrimas, onde filmes, pessoas, locais e acontecimentos me deram coragem para voltar a escrever.

A vida não é assim tão madrasta, a vida é feita de pequenos nadas, pequenos detalhes como uma simples “olá” um simples olhar, ou até mesmo um banal “não vai dar, esquece…” isto sim é a vida! Um pleno jogo de xadrez onde somos nós quem comanda os peões e não o contrário.

A derrota? Está sempre garantida, tal como tudo na vida o não é uma certeza. Talvez hoje vá perder o jogo de xadrez mas amanhã vou vencer…

Vou vencer por mim, por ti, por vocês… a viagem de comboio terminou, a casa cheguei e mesmo assim não percebo por inteiro a totalidade destas palavras aqui expostas, talvez o alguém as entenda.

Talvez a pergunta de todas será “O que é realmente o alguém?”

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Palavras


A dor pode ser algo que todos temos em comum. Mas é diferente em cada pessoa. Pois não é apenas a morte que temos de chorar, é a vida, é a perda, é a mudança.

E quando nos perguntamos porque tem de ser tão mau de vez em quando, porque tem de doer tanto, temos de nos lembrar que tudo pode mudar de repente.

E é assim que nos mantemos vivos. Quando dói tanto que nem conseguimos respirar? É como sobrevivemos. Recordando aquele dia, de certo modo, impossivelmente, não te sentirás assim. Não irá doer tanto.

Pois é certo que a dor chega na altura própria para cada pessoa. Ao seu modo. Portanto, o melhor que podemos fazer, que alguém pode fazer, é tentar ser honesto.

Enfim… O que é mesmo chato, a pior parte da dor, é que não conseguimos controlá-la. E por isso o melhor que podemos fazer é permitir-nos senti-la quando chega e deixá-la partir quando conseguirmos.

Mas no fim de tudo… o pior é que, quando pensamos que já a ultrapassámos, começa de novo. E de cada vez que começa…ficamos sem fôlego.

domingo, 1 de agosto de 2010

8 de Maio


“O que queres tu de mim?”
É a pergunta que está permanentemente dentro da minha cabeça. Pergunta que questiono a mim mesmo a todo o tempo, constantemente.
Aproxima-te de mim, deixa-me observar-te completamente. Acalma a tua respiração ofegante, pois é necessário ter calma neste situação. Senta-te, não a meu lado, mas sim rigorosamente perto de mim, para que não deixe de observar o teu olhar. Reflecte bastante, liberta a tua mente, e responde-me: “O que queres tu de mim”?
Momentos de puro silêncio contemplam o momento.
Estou petrificado, à espera da tua sincera e verdadeira resposta. Olha-me nos olhos, e responde-me.

Apenas escuto a tua respiração ofegante, como quem tem algo importante a dizer, mas falta-lhe a coragem. A minha respiração? Congelou com o silêncio.
O tempo passa, e o mero silêncio mantém-se. Estou a dar em doido, num estado de pura a sadia loucura. No meio do silêncio, escuto os ponteiros do relógio a “marcar” as horas – Já se faz tarde. Reparo no tempo que gastei em ti, todas as horas e os minutos em que me entreguei a ti. Esse tempo passou – “Era uma vez”, tal como nas histórias de encantar infantis.

Mais uma hora, e ainda nenhuma palavra saiu da tua boca. Nem um único gesto também. No entanto, não desvias o olhar de mim. Parece que te hipnotizaram, e não consegues desviar o olhar para mais nada, nem para nenhum objecto. Tento ao máximo não olhar para ti, mas sim para aquilo que está a meu redor, – meros objectos insignificantes, fotografias, o relógio – mas não consigo. Tento, mas não dá para disfarçar. Olho finalmente para ti, tal como tu para mim, de forma intensa e da maneira como parece que tens algo sério para me dizer, e reparo… Reparo que, estás diferente. Diferente, para pior, talvez. O teu olhar, encontra-se sombrio e triste ao mesmo tempo. O teu sorriso, aquilo que usas para tentar disfarçar a tua mágoa e tristeza. Tristeza essa, talvez devido à resposta que vais dizer-me àquela questão que me consome. A questão que preenche todo o meu pensamento diariamente, constantemente…

É quase dia, mais concretamente, o Sol está a nascer. Subitamente, o relógio pára, e finalmente, escuto um suspiro teu. A tua respiração voltou, e aí, mexes-te finalmente. Caminhas em direcção em mim, lentamente, e sentas-te mesmo a meu lado quase que ao ritmo da música que está no ar.
A minha respiração volta, torna-se demasiado ofegante. Não consigo respirar, e o meu batimento cardíaco está muito forte. “É agora. Finalmente saberei a resposta”, digo eu para mim próprio, apesar de ter a noção de qual será a resposta.
Agarras a minha mão direita, enquanto te aproximas ainda mais de mim. E aí, diriges-te até ao meu ouvido. Ao início, não percebi porquê, mas depois…
Diriges-te ao meu ouvido, e aí sussurras “a resposta”. Um sussurro quase impossível de se escutar.

”Nada. Foi bom enquanto durou”, foi a tua resposta. Aquilo que me sussurraste.
Petrifiquei-me novamente, enquanto deixo cair no chão o copo com água que se encontrava na minha mão esquerda. O barulho do copo a cair, representou o fim. E os estilhaços de vidro, representam a forma como o meu coração ficou, após aquelas palavras

Olhas-me nos olhos uma última vez, e dizes adeus. Eu, completamente congelado e quieto, nada faço. Encontro-me sem reacção.
Levantas-te lentamente, e diriges-te à tua companhia. Aí, eu observo-te a ir, e mesmo assim nada faço.

Morri ali. Somente me recordava do som do copo a cair no chão, som esse que abafou por completo as gargalhadas das pessoas, a música do ar, o momento em que me respondeste. Não consigo mexer-me, nem sequer sou capaz de falar, de te “retribuir” o adeus, embora não quisesse dizê-lo. Por isso, decido agora, pois não tive a capacidade de o dizer.

Dia 8 de Maio de 2010

sábado, 3 de julho de 2010

Acordei


Hoje acordei, senti o vento, olhei de frente para o Sol! Tudo isto porque me livrei do passado, de uma história que a cada dia me consumia…

Consumia mais do meu ser, mais do meu eu! Talvez seja tarde, talvez seja cedo, talvez sejam nada… nadas comparados com o que me tornei, um viajante sempre em busca do olhar da liberdade, do conforto em si, sempre comandado pelo silêncio e a escuridão. Hoje olhei ao espelho e a pergunta q fiz foi “Estás á espera do quê?”. Chega! Chega de desistir, chega de procurar lágrimas quando os sorrisos estão mesmo á minha frente, chega de respirar um ar que não me pertence, pois o que me pertence são os 18anos, são as vitórias e derrotas que me pertencem!

Se amei? Claro q sim! Mas também perdi e não deixo de andar de cabeça erguida… pois eu sou eu, o Sérgio que muitas batalhas travou e vai travar, que muitos bocados levaram e eu deixei… que fraquejou quando viu o chão a sair da sua plataforma, mas que nunca caiu!

Exacto nunca cai! Pois embora as batalhas sejam muitas, a grande guerra é hoje… pois sai do mundo das sombras, da solidão, hoje deixo de comandar as tropas da dor e passo a ser talvez e apenas frio, de coração fechado e alma livre.

Pois hoje acordei e senti o vento, olhei o Sol e sorri.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Retorci


Neste momento o mundo parou, o meu saber perdeu lugar e o pensamento é comandado por ti. O porque disto acontecer?

Nem eu sei ao certo, nem o ontem tem a resposta… apenas sei quando e como aconteceu, tudo isto quando senti um aperto no peito, quando senti uns lábios que juraram não me magoar, não me ferir mais do que eu já estou. Mas acima de tudo porque antes de te sentir assim, sentia o teu ombro amigo, o teu carinho e agora?

Agora talvez tudo desapareça e seja levado pelo vento… vento esse que gravou as tuas palavras “Vamos deixar as coisas acontecerem” vento esse por onde caminho sem destino, onde balanço e ando, vento esse que me afasta mais de ti…

Neste momento não sei o que sinto, não sei o que penso, só sei que a cada por do sol me estou a tornar cada vez mais frio, sombrio, cada vez menos eu… porque chegaste e levaste contigo um pedaço de mim e eu deixei, chegaste e só com um gesto levaste as cores, chegaste e… e agora?!

Agora escrevo textos que nunca me iram dar o que quero, respostas! Certezas do que sou, do que tu és… do que fazer.

Pois retorci na história, no saber… retorci e estou a caminhar para um mundo onde o silêncio e a escuridão reinam, um mundo onde eu sou o senhor da incerteza, o príncipe das lágrimas e o comandante da dor. Mundo esse não desejo um final feliz, nem uma palavra de conforto… mundo esse que em tempos antigos sai em busca de um olhar, mundo esse que agora me acolhe e me vai transformando num comum… simplesmente.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Desejar


Simplesmente desejei amar e esse amor apareceu, desejei ser rei e assim fui, desejei sorrir sem nunca me lembrar da dor da perda.

Todos os dias desejamos sempre alguma coisa, seja ela das mais importantes até às mais insignificantes. Mas sim! É de ordem natural do ser humano desejar, querer… deseja-mos todos os dias porque desde crianças assim somos ensinados, nos nossos aniversários, na passagem de uma estrela, no cair de uma pestana, num cruzar de dedos… ou seja por necessidade desejamos ás estrelas, pedimos ás pestanas e imploramos ás velas que o nosso amor volte, ter boa nota num exame, entrar numa escola, passar numa prova.

Tanta coisa que se pede e tão pouco tempo para elas se realizarem, mas embora o ser humano saiba disso, continua a desejar, querer, a pedir… pois assim fomos ensinados, assim nos ensinaram e assim iremos ensinar tal como nos foi ensinado ontem, hoje e amanha.

domingo, 6 de junho de 2010

Ciclo


Hoje gostava de escrever um poema, gostava de dizer que estou bem, “feliz”, gostava de escrever coisas alegres que fizessem rir os outros… mas não, não é isso que a minha alma sente, não é isso que os meus olhos demonstram e muito menos os meus actos.

Nós como seres humanos temos a capacidade de sorrir quando o que queremos é chorar e gritar, ficar num sítio quando o que realmente queremos é fugir para bem longe e apenas viver. Todo o ser humano tem a capacidade e o defeito de por tudo para trás das costas, pois como dizem sempre “o tempo tudo cura” mas isso será verdade?

Será que o tempo cura amizades? Amores? Sonhos? Lutas? Pois bem meus amigos, isso são mentiras! Pois o tempo não cura, apenas piora, pois ninguém oferece em sacrifício a coisa mais importante que possui, e ninguém acende uma candeeiro para o por atrás da porta, mas sim á frente para todos o verem!

Podem achar estranho e confuso o que escrevo, o que aqui descrevo sendo um retrato da minha alma… mas ninguém pode dizer mesmo que está ou é FELIZ, essa é a palavra mais comum, nenhum ser humano devia puder dizer DESCULPA, pois essa palavra vem sempre amarrada á dita felicidade e sabem porque? Porque tudo o que fazemos serve para dizer essas palavras, toda a nossa história pessoal anda em volta do mesmo pois é tudo um ciclo que não tem fim…

Hoje não sou um viajante ao vento nem do tempo… sou um pessoa que nasceu das cinzas espalhadas de histórias que o tempo quebrou, de palavras que o tempo guardou, de lágrimas que o mar levou… sou aquele que terminou um ciclo, que aos poucos se vai esquecendo da sua história pessoal e vai sendo ele mesmo.

sábado, 15 de maio de 2010

Agora


Tudo começou com um simples “olá”, um simples olhar no meio de uma feira cheia de música e luzes que pareciam governar naquele momento, mas não, foi o teu olhar que governou o meu momento naquela altura… foi tudo aquilo que para outros parecia um gesto banal.

Posso dizer que contigo fui feliz, e tinha apenas 15anos… mas sim, amei-te com todos os meus 15anos, amei-te sem dar conta do quando me envolvia e tu o que me deste em troca foi nada mais nada menos que o teu coração, assim pensava eu. Passados dois anos tudo o que tínhamos vivido parecia uma das muitas ilusões da vida, pois foi ai que senti a tua traição, senti que tudo tinha chegado ao fim. Agora um ano passou e tu voltaste novamente com o teu sorriso mas deste vez de pura amizade para nos meus próprios anos me magoares da pior das maneiras.

Hoje o que escrevo é um de muitos desabafos, hoje aqui gravo o meu amor… pois amei.

Ao fim de 1 ano fechei o meu coração, até que por magia no Carnaval apareceu a pessoa por quem eu menos me poderia apaixonar… novamente senti-me vivo mas ao mesmo tempo quase que perdi amigos, hoje sei que fui mais um nos teus jogos.

Enfim… talvez tenha amado duas vezes. Aos 15 e 17 anos… cansei-me de pensar tanto no assunto do amor, de chorar e sofrer… hoje sou comprometido, obra do destino tu teres aparecido assim, não sei se é bom ou mau, sei simplesmente que estou bem pois agora estou mesmo a viver o momento, pois tu não disseste um simples “olá”, não estavas mascarado quando te conheci, não me falaste em jogos… e é disso que me cansei, foi assim que sofri, foi assim que perdi a alma e parti o meu coração…

A poucos dias de ter estado contigo, digo que sim, que te amo… não te quero perder e se isto for um erro, então que seja, mas agora não, não quero pensar no amanha ou no ontem mas sim no hoje, pois o momento é agora e não mais tarde!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Um dia


Hoje mais uma vez o Sol nasceu, as horas passaram, a vida aconteceu e por fim a Lua reinou sobre o escuro, mas no meio de um dia comum eu fiz 18anos… Sim, 18anos de uma vida curta mas marcada.

Mais um dia nos nossos calendários, mais um dia do ano… Um dia que eu pensava ser especial para mim, mas não, passou a ser o dia onde a morte reinou, sim isso mesmo. Mas no fundo digo, hoje faço 18anos, hoje tornou-me alguém perante a sociedade, perante o mundo, hoje não me torno só responsável por mim, mas sim por todos aqueles que em mim acreditam, que depositam as suas esperanças em mim, hoje viro mais uma página na minha vida, hoje cresci um pouco mais como ser, como pessoa!

Mas mesmo assim choro, choro porque festejo os meus 18anos numa casa escura onde o silêncio é rei, numa casa onde nem uma vela existe para eu puder pedir o tal desejo misterioso guardado nos nossos sonhos… Hoje festejo os maus e bons momentos, recordo o que vi, o que fiz, o que senti…

Hoje é o princípio do fim, hoje foi o dia onde o silêncio reinou e as lágrimas ocuparam o som alegre e triunfante de uns parabéns, de umas palmas ou sorrisos, hoje foi assim… Fiz 18anos, mas tudo isso foi um dia normal para todos, mas negro para mim.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Máscara


Prefiro arrepender-me do que fiz, do que daquilo que nunca fiz. É assim que hoje começa o meu dia, começa o meu pensamento, começa mais um pedaço de mim.

Ao longo deste tempo fui-me tornando num viajante frio e sombrio num mundo que outrora era meu, mas perdi-o por sentimentos que me feriram e hoje sou o reflexo disso, também me tornei num viajante ao vento, que vivia na deriva de um olhar… Hoje pergunto o que sou, que metáfora se aplica a mim, podia dizer que sou um viajante perdido neste mundo, mas não, eu sou o Sérgio Soares! Se sou viajante? Sim sou, viajante na minha mente, no meu coração, nos meus sentimentos, se me arrependo do que fiz até hoje? Nada disso, porque lutei por aquilo em que acreditei, lutei pela minha felicidade!

Actualmente olho em volto e pergunto-me se tudo isso valeu as lágrimas e sorrisos perdidos, pois por querer ser eu mesmo perdi demais e conquistei tão pouco, por tirar a máscara de felicidade falsa revelei os meus fantasmas e afastei a magia dos sonhos… Hoje deixei de sonhar, de planear, de viajar… Mas mesmo assim vou conquistando aos poucos o que é meu, o que sempre esteve dentro de mim, isso chama-se Verdade, a Verdade do ser, onde o arrependido que existe é por aquilo que deixei a meio na estrada da vida, por aquilo que nunca pintei numa tela em branco, por aquilo que deixei os outros decidiram por mim.

Podem dizer que fui cínico, falso, mas não, simplesmente fui aquele que disse estar tudo bem enquanto se destruía por dentro, fui aquele que sorriu quando as lágrimas espreitavam o mundo feliz na sua singularidade, mas mesmo assim não me arrependo, pois consegui que as pessoas que me rodeavam fossem felizes.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Momento


Algum tempo que não escrevo, algum tempo que deixei de saber o que sentia, algum tempo que ando meio perdido, enfim… algum tempo.

Hoje o que escrevo não são palavras de arrependimento ou de entusiasmo, simplesmente são palavras que vêm da minha alma, alma essa que despertou mas mesmo assim não tem querer nem saber, simplesmente tem amor e dor… As palavras que irão formar frases e as frases que vão formar um texto carregam com elas um pouco do meu coração.

Por um amor tornei-me num viajante, sofri mas mesmo assim sorria, guardei a dor para mim mesmo, e isso tudo para que? Para nada digo-vos eu, tornei-me num boneco nas mãos desse alguém, fui contra a razão e só ouvi o coração, pois o preço a pagar por isso quase que foi a destruição de mim.

Se ainda gosto desse alguém? Sinceramente nem sei responder, as feridas foram muitas e o tempo tão pouco…

Mas agora digo que ando ao sabor do vento, se sou viajante? Todos nós somos viajantes nestes ou noutro mundo, basta só saber ouvir o instinto e quando dermos conta já estamos a meio de uma viajem, seja ela boa ou má. Foi assim que me tornai viajante, segui o meu instinto e agora sou o que sou, troquei um mundo cheio de amigos por uma mão deles, troquei um futuro nítido por um sonho, isto tudo para me puder sentir eu mesmo e não a pessoa que outros queriam!

Hoje o que escrevo aqui é a prova que não me arrependo do que fiz ou que vou fazer, é a explicação do porque de eu por vezes ser frio e sombrio… Porque hoje o que aqui escrevi veio da minha alma e cada palavra representa um pouco do meu coração, pois agora, agora estou no momento final.

domingo, 21 de março de 2010

Mudou


Outra noite sem dormir, outro pedaço de mim que perdi. O meu mundo já não é o mesmo, o silêncio parece quebrado, a escuridão é fraca e a barreira que nos divide está cada vez mais ténue.

Sinto o chão a tremer, até mesmo o poço que outrora me dava conforto está indiferente para o que sinto, para o que luta dentro de mim, as sombras essas então são cada vez menos, o meu mundo deixou de ser perfeito, deixou de reinar o que outrora eu chamava de poder sobre mim, sinto que o meu estatuto de viajante frio e sombrio está a chegar ao fim, agora sinto cada vez mais o vento que vem desse mundo, sou chamado de viajante ao vento, viajante que diz palavras ao vento. Palavras essas que nunca mais ninguém irá ouvir, ou sentir vindas de mim, o meu mundo está a ficar transparente, isto acontece a cada lágrima que de mim liberto, a cada passagem que concretizo, a cada suspiro em vão…

Mas a culpa de isto é minha, fui eu que jurei nunca sair do meu mundo, jurei nunca ir em busca da minha alma nem recuperar o meu coração, mas menti, pois foi o que fiz, e tudo isto em busca de um olhar, atravessei a barreira, procurei a minha alma pelos túneis que outrora eram coloridos, quis recuperar o meu coração, mas o imenso jardim não me deixou chegar ao topo da árvore onde o pavão dos juízos habita, se foi em vão? Não, nada foi em vão… Perdi? Simplesmente perdi o meu mundo, o meu reino, perdi a minha paz, pois o que consegui recuperar foi apenas um grão do meu coração e uma aragem da minha alma. Podia e posso lutar pelo meu mundo, por aquilo que realmente acredito, mas este meu mundo já deixou de ser meu, agora é teu, é do teu olhar, do teu querer, tal como eu em tempos assim fui. Destrui-me ao querer controlar o tempo por esse olhar, pois o silêncio sempre me disse que o preço a pagar por ti iria ser a destruição de mim, mas mesmo assim fui, fui contra a tua indiferença, contra as sombras que me ajudaram, fui contra aquilo que acreditei, mas não me arrependo.

Sou um viajante que agora habita no teu mundo, que deixou de ser frio e sombrio, simplesmente agora sou eu, sou eu que espero e não concretizo, vou ser eu que vai ficar no avião do desejo a voar sobre a tua cidade sempre á espera que um dia o teu olhar possa voltar.

sábado, 20 de março de 2010

Poema


Ando e balanço
Nisto que chamo de…
Talvez de sentimento.
Mas perdido ou achado?

Sentimento perdido
Alma feliz no desejo,
Desejo esse que relembra
O mais doce sonho,
O mais cruel pesadelo.

Vejo-te aqui,
E perco-te assim, só
Com um simples balanço
Caio em mim e relembro que não.

Que não estás aqui,
Nem ali, és um espírito,
Uma sombra, nada mais
Que um puro andamento do desejo.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Pensei


Mais uma noite sem dormir, mais uma noite sem te puder dizer o que realmente sinto, mais um pedaço de mim que perdi.

Hoje deitado sobre a cama senti uma aragem vinda do nada, as janelas estavam fechadas e a porta encerrada, olhei em volta nada de anormal vi, estava no meu quarto, frio, escuro, sombrio, sozinho… sem ti.

Veio ao pensamento o dia que te vi, enfim tudo o que te envolvia estava lá, estava no meu pensar no meu sentir, lágrimas correram pela minha face que em tempos sorria só de prenunciar o teu nome, mas não, o coração diz que devo continuar a lutar por ti, mas a cabeça diz que não. Deitado sobre a minha cama num escuro isolador visualizei uma balança, balança essa onde pesei tudo até hoje, sentimentos, brincadeiras, emoções, conversas, pequenos detalhes… tudo resumido, foram momentos. O coração disse-me para te procurar, para dizer mais uma vez o que sinto, mas não, a cabeça diz que não, diz que não vale a pena continuar a nadar contra a corrente, não vela a pena querer parar o tempo para estar mais perto de ti, por isso hoje digo que é o princípio do fim! O tempo que se encarregue, o destino que faça o seu trabalho, estou cansado.

Vou parar de viajar entre mundos, vou ser o viajante que fez a promessa de nunca sair do seu mundo, vou viver novamente isolado pela escuridão e silêncio, mas o que sinto por ti continua, já não sou o viajante sem coração, agora tenho um pouco dele dentro de mim, um pouco de ti aqui, mas não, sou um viajante atravessou mundos em busca do teu olhar, pois o preço a pagar por ti é a destruição de mim, mas de que vale isso se depois tu não vais estar lá para me ajudar a sarar dessas feridas, de que vale me sentir á deriva se depois não vais ser o porto de abrigo, não te peço amor, não te peço pena ou dor, simplesmente digo-te que vou ficar no meu mundo, vou voltar ao poço que me fascina que me dá conforto, conforto esse que tu também me sabes dar, vou ficar e não voltar, até ao dia em tu que vives noutro mundo te lembres do viajante frio e sombrio, vou deixar de querer controlar o tempo, deixar de nadar contra a corrente e ficar, não vou desistir, mas vou parar de procurar.

Pois sou um viajante que fiz uma promessa para com o seu mundo, o pelo o teu olhar quebrei a promessa, pelo o teu olhar fui-me destruindo, mas agora não, pois vou viver o momento, mas já não vou fazer dele a vida.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Mundos


Hoje o tempo voltou a parar, parou no ponto de saturação, talvez isto acontece porque sou um viajante que atravessa os mundos, talvez não seja bem vindo neste mundo, talvez nunca devesse ter saído do meu mundo de silêncio e escuridão, nunca devesse ter atravessado essa barreira.

Mas não me arrependo, atravesso mundos, atravesso a barreira em busca daquele olhar que me salvou do fundo do poço, do fim, da destruição. Se voltei a ver esse olhar? Não, nem nada que se escureça, o que tenho visto nem me lembra a Lua. Sou um viajante frio e sombrio que quando atravessa os mundos quase que não chega a tempo, e isso faz-me sentir nú e ao mesmo tempo sinto que a Terra estremece com isso, pois sabe bem ter-te por perto, sabe bem tudo tão certo, mas não, sou um viajante que procura o impulso que o salvou, trai a promessa do meu mundo, mundo esse onde não existe lugar para a mentira, para desculpas, mentiras, mundo esse onde tudo é tão incerto mas ao mesmo tempo perto, onde uma lágrima minha é uma vida perdida, onde uma desculpa tua é uma seta no crime perfeito, onde tudo o que vejo são sombras, onde outrora quando perdia as forças da vida apareceu o raio, o impulso.

Sou um viajante que outrora habitava num mundo se solidão e silêncio, que do nada foi atrás de um olhar, de um toque… Se um dia quando virem as horas notarem que o tempo parou lembrem-se que sou eu, o viajante frio e sombrio que passou por aqui. Atravesso as barreiras proibidas só na procura, só na incerteza da certeza, só na busca na razão queimada, na lágrima abatida, no desejo do peito, no beijo que queimou a alma, do olhar deste mundo.

Viajante é o que sou, viajante sem alma ou coração, sou um ser frio e sombrio, que traiu o seu mundo e atravessa barreiras na procura do olhar, e a cada atravessar perde mais um pouco de si, pois o preço apagar por ti é a destruição de mim.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Raio


Sou um viajante sem alma ou coração, sou um viajante frio e sombrio que nunca teve o seu final feliz. Sou aquele que vagueia entre os mundos, o que passa e ninguém vê, o que chora e ninguém ouve.

Sou um viajante que se encontrou no deserto, e quando dei por mim tu estives-te sempre á distância de um simples “olá”, conto as horas, os minutos para te puder dizer o quando tu és importante, e sabes porque? Porque hoje faz um mês, um mês que de repente fiquei tão diferente, onde dei a volta tão devagar que nem sai do meu lugar, tenho de agir e deixar de pensar, deixar-me levar pelo que sinto e não pelo que me dizem.

Sou um viajante que fez um juramento, até que do dia para a noite apareceu um raio de Sol no meu mundo, e do nada mudou, mudou tudo o que existia, faz hoje um mês que tudo mudou. Mudaram as sombras, os amigos, os sentimentos, sei que as palavras levam-nas o vento, mas o que digo não, o que digo e sinto fica bem preso na terra ao dia em que essa semente morra, até ao dia em que me tornar novamente no viajante que conheces-te, naquele ser frio e sombrio que nunca teve um final feliz.

Sou um viajante que anda de mão dada com o tempo, pois mudo e mudo sempre o destino, consegui fugir ás suas rasteiras até ao dia em que do nada esse mesmo raio de Sol me tapou a visão e cai nessa rasteira feita no meu próprio mundo.

Faz hoje um mês… Quero-te comigo… Prometes?

sábado, 13 de março de 2010

Rasteira


O amanha é uma incerteza, o hoje é ainda mais, o passado é uma certeza conseguida onde choro ao recordar e sorrio ao reviver. Mas para que reviver o passado ou chorar as recordações? Nesses tempos sabia o que queria e quem queria, sabia definir-me como ser, pessoa, cantava o que sentia, vivia num oceano de sentimentos, até ao dia em que do nada uma tempestade fez-me olhar em volta e perceber que sim, estava sozinho, os amigos estavam lá nas gargalhadas mas nas lágrimas estava sozinho, o amor? Esse fez-me acreditar no “Amo-te”, quase que me fez acreditar nessa ilusão, até ao dia em que prometi a mim mesmo que nunca mais iria gostar de ninguém.

Hoje digo que o destino me pregou uma rasteira, fiz novas amizades, conheci outros mundos, outros sorrisos, hoje digo que estou numa transformação, não me sei definir como ser, pessoa, simplesmente sei que esta mudança me fez conhecer aqueles a que chamava de amigos mas um simples beijo mudou essa palavra, esta mudança fez despertar o meu coração, a rasteira do destino não digo que foi cruel, mas também não foi amigável, o meu mundo estremeceu quando cai nessa mesma rasteira, perdeu o rumo quando fiquei novamente sozinho, perdeu cor quando abri o meu coração.

Se me arrependo? Não, cair nessa rasteira fez-me perceber que ainda sinto, choro, sorrio, mas não sou o mesmo ser, aquele ser que sorria para qualquer pessoa, hoje sou um ser mais fechado para puderem dizer que me conhecem têm de descobrir o meu passado, o meu ponto fraco e o forte.

O amanha é uma incerteza incompleta, o passado um livro fechado que me tornou no que realmente sou, hoje? Hoje é mais uma vitória, a rasteira tornou-me num viajante sem alma ou coração, viajante frio e sombrio, que sorri para ti para si mesmo, frio para com o desprezo e traição, sombrio para o amor. Mas sim, hoje digo que existe uma réstia de amor dentro de mim, pois sem aviso chegas-te tu, sem aviso mudas-te o meu mundo. Sou um viajante que não espera pelo amor ou arrependimento para ser salvo, simplesmente viajo entre dois mundos onde sou aquele que passo e ninguém vê.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Hoje


Hoje não falo de mim, de ti, vocês.

Hoje o amanhã parece incerto, as horas pararam no ponto de saturação, o Sol foi coberto pelas palavras, a Lua parou em Marte e o mar congelou ao vento. Mas mesmo assim o ser humano caminha, sorri, chora, até ama, ninguém repara no que se passa, ninguém percebe que o Mundo está a parar, serei só eu? Será que fui eu que parei no tempo do incerto? Olho em volta, e percebo que não, percebo que estou na mesma linha temporal que o resto do ser humano, no mesmo espaço.

As horas pararam, mas mesmo assim vejo os comboios a ir e vir, coberto de humanos que caminham como robôs, ninguém olha para as horas, ninguém repara no Sol, ninguém contempla o mar e muito menos alguém sente o vento. Será que ninguém sente?! Penso em gritar bem alto até que a Lua estremeça, até que o Sol fique vivo, até quebrar o gelo, mas não, nada acontece a não ser os olhares dos humanos, olhares frios.

Hoje o amanhã parece mais incerto, o Mundo parou de vez, não falo de mim, de ti, vocês, falo das horas, do Sol, da Lua, do mar e do vento, simplesmente falo do que me rodeia para além do ser humano, para além dos sentimentos que ironicamente os rodeia.

Será que o amanhã vai ser tão incerto? O meu grito de alguma coisa ajudou? Noto que o meu grito de nada se manifestou, foi apenas uma nuvem a esvoaçar em busca do ser humano, decidi sentar-me sobre o gelo e adormecer, talvez o ponto de saturação morra, mas eu não, simplesmente estou de passagem, sabem porque? Porque sou um viajante que passou por breves instantes a barreira dos mundos mas mesmo assim o ser humano nada fez.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Falei


Quis saber o porque, quis dizer-te o que sentia, quis sair do poço antes de chegar ao fim e ficar para sempre como viajante.

Não posso esquecer, não posso apagar, não te posso matar, pois isso não iria mudar o que sinto, simplesmente perguntei por mim, quis saber quem sou, o que faço aqui, de quem me esqueci, quis saber de ti. Perdi o coração, jurei a mim mesmo que não o iria voltar a ter, não iria voltar a olhar para tal sentimento que me pudesse magoar. Sim! Sim, lutei contra isto, mas mesmo tempo lutei contra sombras para puder ir atrás do que me fazia bem, tudo isto para puder ter um simples olhar vindo de ti, não pedia um beijo ou gesto, o teu olhar bastava.

Sabes o porque disto? Porque numa sala de 1000 pessoa, foste tu que me agarras-te, sabias quem me rodeava mas mesmo assim ofereceste-me a tua amizade, o teu carinho, mas do nada o silêncio veio e levou isso, levou o olhar, o falar, levou-te a ti mas deixou-me a mim e não, não penso mal de ti, pois todos somos humanos, e eu, muito menos eu sou perfeito.

Sei que nunca irás ler, nem sentir o que sinto, apenas quero que saibas que te entrego a chave da minha confiança, felicidade e alma, mesmo sabendo que talvez nunca lhe irás dar uso, confio-te na mesmo, pois sem ti… sem ti torna-se difícil respirar, torna-se exaustivo viver neste silêncio, e sabes porque? Porque me tornei viajante, sem alma ou coração.

Podia dizer “Amo-te”, mas não, sei que tanto estas palavras, sentimentos irão ficar perdidos no vento, simplesmente quis saber o porque, perguntei por mim, mas não o mar não me trás nada a não ser isto, silêncio.

Sou viajante, sem alma ou coração, perdi a paz e a dor prendi, mas mesmo assim, embora viajante frio e sombrio não deixo de ser quem sou para contigo, pois amizade foi o que nos uniu.
“GOSTI”

Fundo



Quero amar e não falhar, quero ir e não vir, quero ser e permanecer.

O fundo do poço onde tenho o fracasso está cada vez mais próximo, cada vez mais certo de mim, não se pode correr para sempre, e o preço a pagar é elevado, é duro de viver assim, é duro acordar e a primeira coisa que nos comanda o pensamento é isto, é querer terminar a viagem neste mundo onde o silêncio e a escuridão governam mas ao mesmo tempo não, não quero terminar não quero despertar quero ficar o viajante que me tornei, não o Aladino, não o ser feliz nem sorridente, muito menos o ser que te amou!

Oiço, sinto, cheiro, o fundo do poço está sensivelmente a dois, dois leves suspiros de adeus e lembrança envolvidos em mágoa, a ternura? Essa não tem lugar aqui, o fundo está mesmo aqui e a cada aproximação torno-me mais frio e sombrio, o fracasso é algo que comanda, o silêncio governa a escuridão realiza o meu sonho de viajante, de puder viver para sempre neste mundo só meu, já não quero fugir do fundo desse poço, é algo que me acalma por completo a dita alma, coisa que já não tenho, perdi a alma quando quis ser mais que um viajante.

“Viajante que em tempos sorriste, onde tens a alma?” é esta a pergunta que oiço, é esta a resposta que dou, silêncio. Foi ai que deixei a alma, foi num túnel onde em tempos circulavam pessoas sorridentes e esperançosas, um túnel cheio de cor, até que numa noite um simples gesto mudou parte da minha palma, uma desculpa levou o que restava, e por fim o coração ficou no silêncio. Deixo o meu coração num jardim, jardim esse que no topo de uma árvore bem escondia por caminhos perdidos, tem um pavão que ao longo dos dias observa o lago onde a água é um portal, foi nesse mesmo jardim que deixei o meu coração mas a alma essa perdeu-se no túnel, deixei-a no momento em que vi a sombra da mentira.

Sou um viajante sem alma ou coração, sou um viajante frio, sombrio, espera, oiço, sinto, cheiro, o fundo do poço está mais próximo, sinto a corpo a dar de si, os olhos que choram parecem conseguir agora parar, os joelhos estão prestes a cair, não vou resistir vou-me deixar envolver por esta escuridão tão doce, sinto-me acarinhado pelo silêncio e amado pelo medo, talvez isto seja o fim da viajem, talvez não, simplesmente sei que amanha pode ser tarde, amanha pode ser cedo, amanha não te vou olhar, não te vou falar, pois quando te vir não vou virar a cara, pois a barreira dos nossos mundo transforma-te num mero vulto, o fundo está próximo, talvez se me debruçar já lhe consiga tocar e assim cair e não voltar.

Sou um viajante que a ultima coisa que deixa neste mundo é a alma e o coração, no meu mundo nade preciso. Sou um viajante que ouve, sente, cheira o fundo do poço…

terça-feira, 9 de março de 2010

Sou Viajante


Fugir, correr até ficar sem ar, morrer para o mundo no seu ser por completo, é assim que quero estar, que quero ficar, que me quero sentir.

Sou viajante num mundo onde a escuridão e o silêncio governam sobre algo a que pensamos ser a felicidade, mas o que é isso? Será que todos temos esse direito? Direito á felicidade? Ou uns têm a felicidade e outras a dita falsa felicidade?

Neste mundo onde viajo sozinho, nada temo a não ser o fundo, o fundo de um poço que significa um fim, um adeus a todos aqueles que permanecem no outro lado da fronteira feita de ilusão e lágrimas, fronteira essa que divide o meu mundo do mundo onde a felicidade é algo que se consegue com uma mentira, uma desculpa. No meu mundo descobri que uma desculpa é pior e mais terrível que uma mentira, descobri que as sombras que por lá passam são só isso, sombras! Por fim descobri que o silêncio não significa esquecimento mas sim desprezo, repugnância!

Sou viajante no meu mundo, é ai onde choro quando vejo as sombras que outrora me disseram estar lá a tapar o poço, é ai que corro no vazio até cair de fugir, fugir daquela maré que a cada respirar me puxa para o fim e me obriga a dizer Adeus.

Fui Por Ti


Minto se disser que fui feliz em plena noite de sábado (06/03/10), fui feliz metade de uma noite, metade de um beijo, beijo esse que me depois me fez sentir um suplente, nada mais que isso mesmo. Beijo esse que me acalmou a alma, mas um simples gesto teu me faz sentir eu próprio, talvez o erro tenha sido meu, dei tudo assim do nada, talvez fui um ser chato para contigo, enfim, não sei mesmo. Apenas sei o que agora sinto dentro de mim e não, não tens culpa, cada um é responsável pelas suas acções.

Menti quando me fui embora, precisava de olhar em mim, precisava de reconstruir uma noite em que fui por ti, acalmei o sentimento na praia e recordei no jardim, chorei mas mesmo assim não me arrependo de ter ido naquela noite, de te ter beijado, de ter ido como fui, certamente quem estiver a ler isto não vai perceber o que se passou, mas até a própria razão tem razões que desconhece, até o meu sentimento tem lágrimas que odeia, até o meu coração tem feridas que ficam mais fundas a cada silêncio teu.

Agora o mais certo é a distância governar neste reino de silêncio, e se assim for quando te vir irei sorrir quando me apetecer gritar, cantarei quando me apetecer chorar, irei chorar quando estiver feliz e rir quando o medo tomar conta de mim, mas não, não vou deixar a distância vencer nem o medo correr pois enquanto o arrependimento for uma mera ilusão a noite da tristeza vai ficar na recordação.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Human


É da natureza humana, olhar para o passado. Para o caminho que percorremos, para o que nos foi definido até agora. Mas apenas deixando o nosso passado para trás poderemos seguir adiante. Para um amanha desconhecido, para o amanhecer de um novo futuro. Para a luz de um novo começo.

Momentos


A minha alma não tem querer nem saber, não sente culpa nem vontade, não sente dor nem amor.

É assim que me defino, é assim que me olho todos os dias ao espelho, é assim que me deito e acordo a cada amanhecer. Não sou mais nem menos, não sou actor nem professor, sou simplesmente quem faz escolhas da sua vida, quem procura o seu próprio caminho, alcanço as minhas metas e mato os meus próprios demónios sejam eles quem forem!

Recomeçar, algo que qualquer ser humano tem medo de fazer, pois o receio de perder algo está sempre gravado no seu saber, mas para mim não, perdi esse receio, perdi o medo de recomeçar e agora sim, encontro-me no princípio do fim, um caminho complicado sim, mas complicado quando a força de olhar em frente é falsa, são meras palavras! Não me considero má pessoa, simplesmente agora digo que sou uma pessoa sombria e fria, sou aquele ser que em tempos fez tudo pelos “amigos” e quando precisou ficou sozinho, sou aquele que por amar a pessoa errada perdeu as pessoas que pensava serem suas “amigas”, nesta minha fase digo que amigos? Talvez tenha um o que já é bom, mas sim, conhecidos tenho muitos.

Culpei-me por esta perda, sentia-me um poço que a cada dia que passava enchia-se de água e eu ali dentro a desaparecer, pois pensava que se eu desaparece-se ninguém iria sentir a minha falta, mas não é isso que importa! A realidade é que eu tenho de sobreviver por mim e não pelos outros, aliás ninguém deve sobreviver por ninguém, pois nós somos responsáveis por nós próprios, se nós não repararmos em nós próprios mais ninguém o vai fazer. Se me arrependo de morar num sitio onde ninguém fala comigo? Nem por isso, só me fortalece mais, se me arrependo de amar quem amo? Claro que não!

Só me arrependo daquilo que não fiz…

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Running Away

Quantas vezes olhamo-nos ao espelho e a pergunta que nos surge é “está tudo bem?”, mesmo que a resposta seja não, vamos mentir-nos a nós próprios e dizer que sim, está tudo bem, vamos querer viver assim, por vezes a fingir que está mesmo tudo mais que perfeito, até ao dia em que aparece alguém que nos vai fazer essa pergunta “está tudo bem?” e ai, mesmo que digamos q sim a resposta que iremos ouvir é nada mais que “não me mintas se não estiver tudo bem, senão tiveres mais nada para dizer não faz mal.

Iremos perder a máscara da dita “felicidade” vamos sentir um alivio vindo do nada, até podemos chorar ao dizer q não, não está tudo bem. Talvez alguns de nós vão pensar em “fugir”, deixar aquele lugar onde dizíamos ser felizes só para podermos olhar nos olhos os que nos rodeiam os que não queremos magoar com a nossa dita infelicidade, vamos mesmo gritar bem alto “sim, estou a fugir, estou a fugir deste lugar!”

Não vamos olhar para trás durante a partida, a fuga, vamos dizer que não fomos os únicos culpados por isto, que é muito tarde para ficar pois a ferida não sara custe o que custar, e não, não vamos ficar, vamos continuar a fugir, a fugir o mais rápido possível, mais rápido do que alguém nos consegue alcançar deste lugar a que chama-mos de solitário, mais longe do que alguém nos possa encontrar, vamos partir sim, vamos partir “hoje”.

Vamos fazer de tudo para ninguém nos encontrar, vamos deixar tudo e todos com o nosso passado, não vamos ouvir nada de ninguém, simplesmente vamos querer que os outros nos entendam, até que num dia como qualquer outro vamos olhar-nos ao espelho, vamos ver o nosso reflexo ali, aquela pessoa que fugiu, não ouviu ninguém, simplesmente deixou o passado para trás e com ele tudo o que realmente ele era.

Vamos perguntar-nos tudo o que queremos, mas não, não teremos respostas porque a maior das questões será… “Disse tudo o que tinha a dizer? Disse adoro-te quando ainda podia dizer? Ouvi quem mais me adora? Eu disse o que tinha? Posso voltar?”. Vamos perceber que o lugar que era solitário esteve sempre cheio de pessoas, de sorrisos, gargalhadas bem altas e alegres, vamos querer voltar, recuperar o passado, agarrar nesse mesmo passado e transformá-lo numa nova vida onde a fuga nunca irá fazer parte das opções da nossa vida.

Simplesmente fazemos planos, marcamos “golo”, mas fugir não é sinal de superioridade, pois quando dermos conta veremos que nunca dissemos o que a palavra no momento exacto, vamos perceber que a vida, o destino, a nossa felicidade somos nós que a fazemos, as nossas escolhas são os dados neste jogo, onde só sai vencedor quem tem força, pois o destino faz os parentes, mas as escolhas fazem os amigos.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Chasing


Já pensaram no que seria a vida se de um momento para o outro o mundo parasse? Já alguma vez perderam tempo a questionar-se o porque daquela decisão? O porque de estarem ali naquele preciso momento? Certamente todos nós pensamos que temos respostas para isso, então mas se eu disser que não? Que peso tem a opinião de um rapaz de 17anos em relação a este assunto?

Por vezes não é a idade que nos distingue, pois isso são simples números que nos colocam na sociedade, nada mais que isso! Mas embora sejamos todos diferentes, todos os dias tentamos encontrar respostas para as nossas dúvidas, soluções para os nosso medos ou problemas, tentamos fugir da dor, sorrir para esconder a fraqueza, até que um dia, tudo termina, tudo tem um fim.

Um fim? A morte? Não, não se chama de morte, chama-se instinto humano, tudo termina no dia em que alguém nos diz “fazemos qualquer coisa, no nosso mundo, não precisamos de mais ninguém nem de nada”. Todos gostaríamos de ouvir esta frase, a frase que põem fim às incertezas, aos receios, medos, enfim as palavras que nos libertam.

“Se eu me deitar aqui, se eu apenas me deitar aqui, deitavas-te comigo e esquecias o mundo?” é a frase que nos iria libertar, mas certamente que a nossa resposta seria de incerteza, pois não saberíamos o que dizer, o que sentir, pois aquelas palavras não seriam o suficiente para acalmar a alma de alguém incerto, de alguém que a cada deitar perde mais um pouco de si. Talvez o melhor que temos a fazer é esquecer o que foi dito, pois o tempo não espera por ninguém e simplesmente irmos a correr para um Jardim que se abre para a vida, vamos passar o tempo perseguindo aquilo que nem sabemos ao certo o que é, mas a certo momento vamos perceber que vamos envelhecer, e que embora tenhamos dito que nunca precisamos de ninguém, vamos dar conta que em parte estávamos errados, pois não tivemos ninguém para dizer o que realmente sentíamos, o que mais desejávamos, podemos dizer que fomos felizes, e sim até pode ser, mas nunca a felicidade na totalidade.

A vida é curta de mais para perdermos o tempo a caminhar sozinhos, a tentar encontrar a luz que nos falta nas falsas sombras, nos atalhos que mentiras nos dão, temos de por vezes olhar em frente e dizer “Sim, estou aqui, vou contigo fazer qualquer coisa e esquecer o mundo.”

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"Era uma vez..."


Todos nos lembramos das histórias da nossa infância, o sapato de cristal da Cinderela, o sapo que se transforma em Príncipe, a Princesa que acorda com o beijo, “era uma vez, e depois viveram felizes para sempre.”

Contos de fadas, o reino dos sonhos, o problema é que os contos de fadas não se tornam realidade, isso são outras histórias que começam com uma noite escura e parecem não ter fim, é o mundo onde os pesadelos, esses sim, se tornam realidade, onde o amor se perde com um simples “não”, onde uma amizade se quebra com uma lágrima, onde alguém morre por não encontrado a luz da esperança.

“Era uma vez” uma bonita princesa… “era uma vez” num lindo castelo feito de cristal… “era uma vez” um príncipe… tudo o que nos contaram na infância tem como fundo “era uma vez” e por fim termina com “viveram felizes para sempre”. E se a história for “Era uma vez” uma princesa pobre, que lutou contra tudo e todos para alcançar a sua felicidade, perdeu amigos, descobriu que a sua felicidade não estava junto do príncipe, e muito menos estava no belo palácio de cristal, a felicidade estava nela própria! E sim a princesa pode ter vivido feliz para sempre, não precisa do palácio ou do príncipe, ela tem-se a ela mesma, tem os amigos verdadeiros.
Por vezes é por culpa do “era uma vez” que caímos nas sombras, ouvimos as histórias, pensamos que o amor se encontra assim do nada, pensamos que as pessoas que nos querem fazer mal são aqueles que por vezes mal nos olham, que não são tão belas como queremos, mas não, isso é uma ilusão, pois nem tudo o que brilha é ouro, nem tudo o que vem á rede é peixe. Pois “era uma vez” uma história que só com uma simples lágrima perdeu o seu brilho e fantasia e passou a ser o mundo da realidade, onde o amor se constrói a cada dia, onde as pessoas que menos esperamos são aquelas que nos estendem a mão sem pedir nada em troca, onde o “viverem felizes para sempre” não vem escrito do nada, temos de ser nós próprios a fazer o nosso “viveram felizes para sempre” pois a vida não é um conto de fadas onde para ter tudo o que queremos não basta uma simples varinha mágica, é preciso esforço, esperança, determinação, coragem, amigos… Pois as coisas não surgem escondidas na abóbora, não são os sete anões que nos vão salvar do fracasso, não existe nenhum grilo falante para nos abrir os olhos, o que existe somos nós, as nossas forças, o nosso mundo.

“Era uma vez alguém que vivia num mundo para lá da imaginação, pois por vezes o "era uma vez" trás com ele a magia de viver…”