quarta-feira, 28 de abril de 2010

Máscara


Prefiro arrepender-me do que fiz, do que daquilo que nunca fiz. É assim que hoje começa o meu dia, começa o meu pensamento, começa mais um pedaço de mim.

Ao longo deste tempo fui-me tornando num viajante frio e sombrio num mundo que outrora era meu, mas perdi-o por sentimentos que me feriram e hoje sou o reflexo disso, também me tornei num viajante ao vento, que vivia na deriva de um olhar… Hoje pergunto o que sou, que metáfora se aplica a mim, podia dizer que sou um viajante perdido neste mundo, mas não, eu sou o Sérgio Soares! Se sou viajante? Sim sou, viajante na minha mente, no meu coração, nos meus sentimentos, se me arrependo do que fiz até hoje? Nada disso, porque lutei por aquilo em que acreditei, lutei pela minha felicidade!

Actualmente olho em volto e pergunto-me se tudo isso valeu as lágrimas e sorrisos perdidos, pois por querer ser eu mesmo perdi demais e conquistei tão pouco, por tirar a máscara de felicidade falsa revelei os meus fantasmas e afastei a magia dos sonhos… Hoje deixei de sonhar, de planear, de viajar… Mas mesmo assim vou conquistando aos poucos o que é meu, o que sempre esteve dentro de mim, isso chama-se Verdade, a Verdade do ser, onde o arrependido que existe é por aquilo que deixei a meio na estrada da vida, por aquilo que nunca pintei numa tela em branco, por aquilo que deixei os outros decidiram por mim.

Podem dizer que fui cínico, falso, mas não, simplesmente fui aquele que disse estar tudo bem enquanto se destruía por dentro, fui aquele que sorriu quando as lágrimas espreitavam o mundo feliz na sua singularidade, mas mesmo assim não me arrependo, pois consegui que as pessoas que me rodeavam fossem felizes.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Momento


Algum tempo que não escrevo, algum tempo que deixei de saber o que sentia, algum tempo que ando meio perdido, enfim… algum tempo.

Hoje o que escrevo não são palavras de arrependimento ou de entusiasmo, simplesmente são palavras que vêm da minha alma, alma essa que despertou mas mesmo assim não tem querer nem saber, simplesmente tem amor e dor… As palavras que irão formar frases e as frases que vão formar um texto carregam com elas um pouco do meu coração.

Por um amor tornei-me num viajante, sofri mas mesmo assim sorria, guardei a dor para mim mesmo, e isso tudo para que? Para nada digo-vos eu, tornei-me num boneco nas mãos desse alguém, fui contra a razão e só ouvi o coração, pois o preço a pagar por isso quase que foi a destruição de mim.

Se ainda gosto desse alguém? Sinceramente nem sei responder, as feridas foram muitas e o tempo tão pouco…

Mas agora digo que ando ao sabor do vento, se sou viajante? Todos nós somos viajantes nestes ou noutro mundo, basta só saber ouvir o instinto e quando dermos conta já estamos a meio de uma viajem, seja ela boa ou má. Foi assim que me tornai viajante, segui o meu instinto e agora sou o que sou, troquei um mundo cheio de amigos por uma mão deles, troquei um futuro nítido por um sonho, isto tudo para me puder sentir eu mesmo e não a pessoa que outros queriam!

Hoje o que escrevo aqui é a prova que não me arrependo do que fiz ou que vou fazer, é a explicação do porque de eu por vezes ser frio e sombrio… Porque hoje o que aqui escrevi veio da minha alma e cada palavra representa um pouco do meu coração, pois agora, agora estou no momento final.