domingo, 27 de dezembro de 2015

2015

2015… Bem, por onde começar? Este ano foi uma autêntica montanha russa. O ano passado não fiz nenhum balanço em palavras sobre 2014, digamos que fiz apenas um balanço mental, pois considero 2014 como o ano das perdas para mim.

Mas bem, falemos deste ano que está a terminar. Olho em volta, sinto o vento e sinceramente não dei pelo tempo passar por mim, só sei que o tempo avança pois o frio e o calor me fazem lembrar de tal.

Foi neste ano que fechei de vez a porta para o dito “amor”, fechei por pura opção, já conheço o jogo, as regras, as faltas… Considero que este ano tive mais conquistas que perdas. Consegui chegar ao 2ºano do meu curso e destacar-me pela positiva no estágio. Mentalizei me que perdi definitivamente algumas pessoas que antes eram como pilares na minha vida.

Deixei de ser a puta, o drogado que outrora o era… Deixei de confiar, aprendi a desconfiar e talvez diga que “matei” de vez o Soares para deixar de vez o “Subtil”. Sim, inconscientemente fui fazendo tal ato, mas não me arrependo… por agora.

Percebi que os laços de sangue nada importam quando na realidade não somos o filho, irmão, sobrinho ou neto desejado… Quando na realidade somos homossexuais e esses ditos laços de sangue quebram-se. Sim… Afinal, de quantas maneiras um coração, uma alma podem ser destroçados e ainda continuar a bater, a viver? Nos últimos meses, eu tenho passado por muitas experiências que poderiam ter acabado comigo, mas isso não me deixou mais forte. Ao contrário, eu me senti horrivelmente frágil, como se uma única palavra pudesse-me despedaçar. É esta a verdade. Passei fome, frio, noites em claro… E se doeu? Não, ainda dói, porque passe o tempo que passar nunca me vou esquecer das palavras proferidas pela minha mãe. Mas pronto, a vida é assim… Cair sete levantar oito.

Este ano, voltei novamente a sentir o calor da amizade… Virei as costas a quem me queria mal e aprendi a sorrir verdadeiramente para três pessoas que chegaram sem aviso à minha vida. E de uma coisa eu tenho certeza, se não fossem essas pessoas eu certamente não estaria aqui agora, pois foram elas que nos meus pensamentos mais sombrios souberam trazer luz e tudo isso sem se aperceberem nada. E por isso agradeço... André, Patrícia e Miguel. Mas sem nunca esquecer aquelas pessoas que por mais tempo que passe também estão lá... Ângelo, Ricardo e Gonçalo.

Reaprendi o que significa a “amizade”, se é para sempre? Só o tempo o dirá. Aprendi o que é ter “esperança”, reaprendi a lutar por mim… Embora às vezes o Viajante ao Vento ainda chame por mim.

Neste ano que está a terminar, reafirmei-me no curso, consegui trabalho, tracei objectivos, criei a minha família, apanhei grandes bebedeiras, fui a festas perfeitas, jantares memoráveis, chorei de tanto rir, roubei quadros, fiz figuras no meio da rua, ofereci rosas a desconhecidos, andei descalço durante o serviço de almoço, entrei em carros que não eram meus, vi a minha vida a passar-me à frente… Mas também chorei, quis desistir, dormir e não mais acordar, quis sentir-me a desaparecer de vez deste mundo, desejei matar, sonhei fugir. Porém, tive altos e baixos, tal como todos, certo? Não sou mais que ninguém e ninguém é mais que eu.

Simplesmente agradeço… às pessoas que todos os dias me inspiram, à minha família. Agradeço também aquelas pessoas que por vezes me conseguem libertar um sorriso... Obrigado Inês, Best e Norma.

No final deste ano simplesmente digo… Eu mudei porque amadureci. Mudei porque passei por tantas e tão diversas experiências que consegui aprender com os meus próprios erros, mudei porque me dececionei com amigos, mudei porque me dececionei com amores, mudei porque conheci pessoas tão especiais que fui capaz de me inspirar por elas e me espelhar nelas para me tornar uma pessoa diferente, talvez uma pessoa melhor. O tempo passou, eu mudei e nem tudo e nem todos me acompanharam.