segunda-feira, 16 de março de 2015

Confiança

 Voltei... Ao fim de algum tempo voltei aqui, voltei a escrever... Voltei a entrar num mundo onde não consigo verbalizar o que realmente sinto, perdi a confiança em mim e nos outros, mas principalmente em mim, e querem saber o porque?
 
 A cada momento sinto, sinto pedidos mudos...Vozes do pensamento inconscientemente consciente da nossa própria existência dormente de medo, de perguntas... impasses... Por vezes vivemos consumidos nos nossos próprios medos, perdidos sem rumo numa confusão de sentimentos e pensamentos, que nos enchem e preenchem.
 
 Por viver assim, por vezes penso que não pertenço a este mundo, talvez esteja mesmo destinado a ser o eterno Viajante ao Vento, aquele que vive num mundo de vultos, numa terra governava pelo Silêncio e a Escuridão, onde correntes são o doce sentir de alguma sensação mais profunda em mim. 
 
 Talvez o problema seja meu, voltei a perder a capacidade de confiar, de falar o que realmente sinto... Aprendi a rir, porém, por vezes lembro-me dos contos de fadas... É o que dizem nos contos de fadas. Falar com o coração! E mesmo hoje no meio destas minhas paredes me desgasto, esbarro em esquinas que me fecham me magoam...
 
 São as sombras dos medos de alguém que arrancou algo que pensava ser meu incondicionalmente...
naquele dia vazio levou com o vento um pedaço do meu peito, desde esse dia tudo foi diferente,
foi como reconstruir o castelo em ruínas do meu ser, e triunfei, venci, batalhei, lutei por brilhar e ser o calor do sol que tenho dentro de mim.
 
 Sempre que  tento falar o que realmente sinto, tento retirar esta máscara... Algo me vai destruindo por dentro, como se a minha alma se quebrasse em mil pedaços e corresse pelas minhas veias. Sinto um gelo em mim, o meu corpo vai-me pertencendo cada vez menos, e até mesmo naqueles momentos de puro prazer... No final existe sempre o receio, o receio da confiança!
 
 Olho em volto e vejo as pessoas a desaparecer... Memórias a irem com o vento, outras a serem destruídas pela chuva deste mundo, e eu? Bem, eu cá estou... A custo, tentar não ser apanhado pelo vento, atraiçoado pelo nevoeiro, não quero voltar para aquele mundo, não quero voltar a sentir as correntes na minha pele, não quero pisar o chão de sangue.
 
 Quebrei uma promessa ao sair daquele mundo e ao vir para este, esqueci-me que ser um herói tem um preço... A solidão e a falta de confiança. Será que é possível reverter tal situação?
 
 Simplesmente sei, confiança... Bem, confiança é um luxo que não me permito ter.