quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Adormeço

Nem sei por onde começar... Talvez pelo inicio? Mas que inicio? Sinto a minha cabeça ás voltas, porém são voltas vazias. Um vazio que me preenche, controla, domina por inteiro.

Perdi a criatividade, a imaginação... Os sorrisos puros e as lágrimas sentidas. Mas será possivel? Afinal de quantas maneiras pode um ser humano quebrar? Quebrar e quebrar e continuar a sorrir, penso que já nem isso sou capaz de fazer, ou talvez até seja, visto que ninguém consegue perceber o que realmente se passa no meu mais intimo.

Não sou mais que ninguém e ninguém é mais que eu, porém, ninguém sabe a quantidade de vezes que adormeço a chorar, os pensamentos mais negros que me ocupam a mente a cada momento. Sorrir por vezes doí-me mais que certas feridas sofridas na pele. O frio não me esfria o calor não queima e os sentimentos? Bem, esses já nem sei o significado de mais de metade.

Eu sei, tenho de ganhar força, coragem e seguir em frente! Mas como? Sinto-me tão mais confortável neste quarto, escuro, húmido... A esperança (o que é isso) vai-se perdendo a cada segundo que passa, porém, não sei a quantas ando, estamos a que dia, mês, ano? Já nem as sombras que vagueiam por estas quatro paredes me tão atenção, uma a uma vão-se evaporando nesta dança chamada de vida.

Já nem Viajante ao Vento sou, o Vento deixou-me... O Karma agarrou-me. O que tenho agora é isto, voltas vazias de memória e sonhos. Voltas de sorrisos perdidos e rostos perdidos entre a escuridão.

Olho em volto, observo com dificuldade cada recanto deste meu pequeno "reino", as gavetas estão abertas, a cama desfeita, as paredes esburacadas e manchadas... Sinto a poeira a pairar ao sabor do movimento das sombras que ainda coabitam comigo neste mesmo espaço. Não consigo encontrar a porta, nem me consigo levantar deste chão.

O ar está pesado, os meus olhos enfraquecendo e a minha boca secando. Tento olhar em frente e noto algo mais que as sombras, o ar vai ficando mais pesando, não consigo respirar... O que é isto? Sinto o que resta do meu coração a deixar-me por completo. tento perceber o que ou quem é. Não consigo, fecho por completo os olhos... O meu corpo atraiçoa-me, caiu no nada e adormeço.