quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Palavras

Cá estou eu... Sinceramente não sei o que irei escrever, os meus pensamentos perderam o pouso. Enfim, vou-em deixar levar pelas poucas palavras que se prendem ao meu pensamento.

Traição, Ódio, Dor, Solidão, Loucura, Escuridão, Vento, Amor, Memória, História, Corpo, Recomeçar, Amizades.

Tantas e tantas mais palavras poderia eu escrever e rescrever, mas de que me serve tal coisa? Hoje sinto a necessidade de gritar ao mundo, porém, sinto-me à deriva, a cambalear e o mais engraçado, ou não, é que todos os que me rodeiam não percebem. Desde a última vez que aqui estive muita coisa mudou... Actualmente sozinho como estou, desencontrei me com pessoas e encontrei outras, todavia continuo a fazer o mesmo, o Sérgio Subtil que se esconde atrás da máscara e dos aplausos para esconder a dor, que sempre que volta ao seu mundo ao sabor do vento se desmonta em meras lágrimas secas pelo ódio e a desilusão.  

Nestes últimos tempos quebrei o coração em mil e um pedaços, e não, não vou falar só de amor, pois na realidade o amor é para os fracos de espírito, quem é o louco que depois de ser sempre traído, consegue juntar forçar e recomeçar uma nova história? Quem é a pessoa que depois de ser traído por todos os amigos, que consegue voltar a confiar em alguém?

Pois bem, talvez tenha descoberto uma nova faceta em mim, o ódio... Ódio de mim, da minha loucura em confiar nas pessoas, no tão aclamado amor, ódio pela memória não perdoar e o coração não curar!

Vamos ser sinceros uns com os outros... Quando estamos mesmo no chão, quantas pessoas é que realmente nos estendem a mão?! Eu posso dizer que ninguém... As pessoas só agem por interesse.

Actualmente, ainda sou um Viajante ao Vento, porém, olhos tristes e ódio no coração. Será uma loucura ou apenas mais uma de muitas condições humanas? Cansei de pagar a factura do karma, cansei de sorrir só para ninguém saber que eu estou triste, chorar não é sinal de fraqueza... Pois ferido eu estou e já não consigo beijar as minhas memórias.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

"Não teria título..."

Se a vida fosse um livro, certamente não teria título... Talvez fosse apenas um simples caderno dentro de uma mala velha, gasta. Com algumas páginas amarelas de gastas, outras húmidas das lágrimas corridas ao escrever certos capítulos, outras com uma letra quase ilegível... Ou porque a felicidade era tanta ou a dor mais ainda.

Porém, falo do meu livro... Não do vosso, (digo vosso se alguém realmente ler isto) pois nem todos carregamos a mesma história o meu livro e isso é muito bom.

Já algum tempo que ando para escrever, contudo, têm me faltado as palavras poéticas, o momento oportuno... Até que pensei e repensei e cá estou. Talvez a inspiração para o guião que ando a escrever me tenha levado aqui.

Dei conta que cada linha que escrevo, que é suposto ser em parte ficção, consegue ser um reflexo meu e isso assusta-me um pouco. Li e reli cada palavra do meu projecto, fui buscar umas caixas e li e reli textos meus quando tinha 14anos e li e reli cada texto desta blog e percebi... Percebi que durante este tempo todo, eu, Sérgio Subtil fui escrevendo o guião sem dar conta. Sorri, chorei de dor e de alegria ao reler certas coisas.

O meu primeiro amor, a doença do meu irmão, os confrontos com o meu pai, o afastamento da minha mãe, a minha depressão, a minha autonomia, França, a escola, os amigos que pensei serem eternos, a minha Tia Ilda, a dor que dei aos meus avós, o Teatro, a morte do meu Tio, a prisão do meu primo, os amores que vieram e se foram... E tantas, mas tantas outras coisas, até que percebi onde me tinha tornado o famoso Viajante ao Vento.

Decidi voltar a colocar cada texto no seu lugar, dei uma passada rápida em poemas que perdidos estavam entre os cadernos. Revi fotos que tinha perdidas entre o pó e o esquecimento e perguntei o que aconteceu aquele rapazinho que pelos vistos tinha tudo para ser o que sonha-se, tudo menos um Viajante ao Vento.

Lembrei-me... Poucos meses de fazer 18anos, sem dar conta fui mudando, subtilmente, até que chegou o dia 5 de Maio e puf! Entre os tão esperados 18anos nada previa ou me preparava para o que tinha acabado de acontecer... Conseguem imaginar a morte de um Pai (Tio) de coração um dia antes do vosso aniversário? Onde eu tive que passar o meu aniversário sozinho, sem um ombro onde chorar, sem uma palavra conseguir pronunciar. Quase que voltei a quebrar e a cair na vala, porém, engoli as lágrimas que se apoderavam de mim e descobri um mundo onde o Silêncio e a Solidão são Reis, onde tenho um poço que me dá conforto, um mundo onde estou protegido por uma barreira, um mundo que eu pensei que podia entrar e sair sempre que eu assim o deseja-se, contudo, estava enganado e como já o referi em outros textos... Hoje pago essa factura.

Foi nos meus 18anos que me tornei num Viajante ao Vento, neste ser que poucos viram ou sentiram. Neste ser que paga a sua conta todos os dias, que não é um herói ou vilão, simplesmente é um Viajante ao Vento, um ser comum a tantos outros que como tal... Não tem título para a sua vida.