quarta-feira, 12 de agosto de 2015

"Se eu morresse amanha, o que me dizias hoje?"

Voltei... Senti novamente esta necessidade de escrever, de libertar os meus pensamentos.

Hoje andei, decidi andar por ai... Sentir novamente o vento pela minha pele, o sol aquecer-me o que resta de mim. Foi então que como uma memória trazida pelo vento, lembrei-me de uma pergunta que me fizeram nos meus 18anos... "Se eu morresse amanha, o que me dizias hoje?"

Nestes últimos dias tenho pensado nisso, só gostaria de saber que sou "importante" para alguém... Serei a única pessoa que se questiona em relação a isso? Se eu desaparecer, alguém irá dar pela minha falta? Alguém irá chorar? Alguém me vai procurar?

Aqui fechado neste meu quarto, olho em volta mais que uma vez, já nem sinto as sombras a passearem entre os meus escassos suspiros. Guardei fotos de pessoas que outrora eram as tais, rasguei cartas dos amores que coleccionei, pus numa gaveta bem funda presentes de amizades que pareciam nunca ter um fim.

No meio deste misto de lembranças e dor... Percebi que deixei de conseguir chorar, apenas sinto uma dor, uma dor que parece arrancar-me cada pedaço da minha carne. Deixei de acreditar no "final feliz", nada nesta vida dura para sempre... A vida é resumida a momentos tão frágeis que o vento os pode levar quando menos esperas.

Talvez o meu problema seja eu tentar deixar de ser este Viajante ao Vento, procurei perdão ao entrar neste mundo, aceitei pisar este chão de sangue e ser acorrentado enquanto olhava para o portão e a única coisa que via eram sorrisos... Sorrisos de meros vultos, enquanto eu estava e estou destinado a conviver com estas lembranças e as meras sombras que sussurram entre elas o meu castigo, a minha punição.

Será que existe perdão para alguém que pisou os sonhos de outros? Que usou e abusou do amor de terceiros para cumprir os seus objectos? Lembro-me... Lembro-me das muitas noites de prazer que tive, das manhas de arrependimento, das tardes de lágrimas. Do amor puro e honesto que tive e recusei. Talvez nunca irá existir um fim para esta punição, cada um tem o que merece, não é?

Olho em volto. Nada vejo, nada sinto a não ser dor, solidão. E simplesmente me questiono... "Se eu morresse amanha, o que me dizias hoje?"

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Cá estou eu

Cá estou eu, novamente... Não sei ao certo o que estou a fazer aqui, o que irei escrever. Nem sei ao certo o que estou a sentir, se é que sinto alguma coisa que seja em mim.

O que é isto? O que é a vida? Cair sete e levantar oito vezes? Sorrir depois de termos levado a maior bofetada da vida? O que é o amor? O que é o destino? Alegria, tristeza, emoção... Não será tudo uma mera ilusão?

De quantas maneiras pode a alma de um ser humano sem quebrada? Em quantos pedaços pode essa mesma se quebrar, dividir?

Talvez a minha mente esteja apenas a divagar demais, talvez o meu problema seja esta solidão constante... Este defeito de não conseguir preservar as pessoas à minha volta, viver de lembranças, de pequenas memórias que ninguém irá entender. Ninguém as irá entender pois essas pessoas não estavam lá, o meu círculo de amigos é como uma grande montanha russa que a cada subida perde a força, ou seja, eu vou perdendo amigos, pessoas, sorrisos, olhares.

A cada descida dessa montanha russa, eu vou ganhando feridas, lágrimas, escuridão dentro de mim... Já não sei se sou o Viajante ao Vento, o Sérgio Soares ou apenas o Sérgio Subtil. Sei que a chave para a maior parte destas questões sou eu que a tenho, e embora eu saiba disso, escrevo... Escrevo e rescrevo cada linha destes textos, porque embora ninguém os vá ler, eles dão-me conforto, acalmam-me a alma, talvez sejam eles o meu melhor amigo.

Ao ler este mero texto (um de muitos) não encontro sentido algum... Será que já nascemos com o destino traçado? Ou simplesmente com um esboço? Mas o que é o destino?

Estou a divagar novamente, hoje não me consigo focar, a minha mente dança numa fina corda de memórias, pessoas, lugares. Será que é o efeito da solidão? Será que é o efeito da ansiedade humana? O que é o desejo? A inveja?

Enfim...