sábado, 5 de novembro de 2011

"Não voltarei a quebrar"


Hoje o tempo ficou estático. Estático num compasso sem passo, num alento que habita num desalento… “Será que isto faz sentido?” penso eu, pensam vocês, correcto?

Hoje enquanto andei pelas ruas de Lisboa, percebi (novamente) que o tudo e o nada voltaram a perder, em certos momentos, o sentido para mim… este vazio começa, novamente, a ter força, este ânsia de querer e não querer.

Olho em volta, o vento parece passar por entre mim, a chuva parece não querer me molhar, as pessoas parecem não me ver… será que voltei a ser o viajante perdido no tempo, perdido no vento? Será que o simples facto de ter quebrado uma promessa feita no meu mundo tem assim este final? Talvez seja este o castigo, o castigo de agora não puder voltar ao mundo onde os sorrisos reinam… Percebi hoje, que afinal sempre vivi aqui, neste mundo onde as sombras são nada mais que o reflexo das pessoas que não me vêm, pois no meu mundo a escuridão ergueu um muro, uma barreira onde jamais nada nem ninguém poderá passar.

Uma vez passei a barreira, abri os portões do desejo com uma simples promessa… “Não voltarei a quebrar”, foi assim que me libertei do fardo que era ser o viajante ao vento, que simplesmente falava com os vultos, cobiçava o fundo de um poço que lhe transmitia tranquilidade, calma, harmonia, conforto.

Hoje o mundo que me tornou viajante ao vento, veio-me buscar, resgatar talvez… Talvez ser o viajante ao vento seja mesmo quem eu sou… um mero ser que vive ali, com o seu poço seco de tanta falsidade, de tanta traição.

Olhei mais uma vez em volta, o meu mundo parecia zangado, vingativo, assustador. Os vultos que lá habitam hoje nada me levam, talvez isto aconteça porque parte de mim ficou para lá dos portões do desejo… talvez, talvez seja isso, só o simples facto de não ter quebrado no seu todo a promessa me faça isto. Voltei a ser o viajante ao vento, mas desta vez irei mudar este mundo.

Será o fim? Não…