terça-feira, 31 de julho de 2012

Rotas

 Ao fim de tanto tempo, continuo aqui, neste mundo. Onde estou? Num mundo onde os sonhos não existem, onde os sorrisos são abafados por gemidos vindos das sombras que se cruzam comigo.

 Hoje estou acorrentado ao chão lavado por sangue e recordações... recordações essas que a cada respirar magoam casa vez mais. Durante estes meses olhei para o cima da colina e vi o portão que quebra a barreira dos mundos, ansiei, desejei, implorei por ver aquele sorrio, olhar, por ouvir aquela voz, para simplesmente ouvir o meu nome... Porém tudo o que vi, ouvi foi isto. Silêncio, penso que o próprio destino ou talvez aqueles que eu amo me esqueceram, ou então, simplesmente se perderam no meio da multidão, das suas vidas, todavia o poço diz-me que não, ele murmura "não te resta nada, sempre estiveste sozinho no meio das pessoas, deixa essa ilusão, pois esta é a paga por tudo o que fizeste."

 Será? Ao longo deste tempo sempre pensei ser feliz, mas eu desapareci e ninguém dei pela minha falta, ninguém teve a coragem de vir salvar... Não tive ninguém me puxa-se deste mundo e acreditem que bem tentei por mim, mas de que vale a pena lutar pela liberdade se não temos ninguém que nos abrace? Sinto falta de sentir o calor do sol, de sentir o vento frio, de sentir o arrepio de um olhar, sinto falta daqueles rostos... simplesmente sinto... sinto falta.

 Porque eu só quis que tudo isto fosse um pesadelo, porém as cordas que me prendam afastam-me do abraço da eternidade e as histórias vestem e despem todos os segundos que eu grito, choro. Porque eu só quis alguém para me salvar, mas no final as rotas que se cruzam apagaram-se com a voz e mais ninguém foi capaz de festejar ou relembrar o rosto daquele que para lá das sombras ficou.