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Novamente

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Já algum tempo que não sentia esta dor, este vazio… sinto que sou Viajante novamente, o Viajante do vento. O Viajante que habita num mundo onde quem reina é a o silêncio de mãos dadas com a escuridão, sinto que a solidão é quem me vigia. A cada mexer do ponteiro, sinto-me mais frio e sombrio, sinto-me mais enojado de mim… pois é lamentável este sentimento de puro nojo que sinto dentro de mim, angustia, desesperado por algo que não está lá, não existe mais esperança... e quando tudo isso desaparece, sobram me as lágrimas, o meu coração desfeito em pedaços, uma solidão que dói mesmo rodeado de pessoas á minha volta, pois no meio da multidão sou aquele que caminha de cabeça baixa para esconder entre as suas expressões toda a dor que guarda como Viajante que sou novamente e o desespero por ouvir uma palavra amiga, algo que me faça continuar. Em tempos deixei de ser o Viajante ao vento e foi ai que aprendi muito quando foram duros comigo e me expuseram todas as defesas a nú, tal quando algu...

Caminho

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Como qualquer ser humano, tenho um passado, presente e talvez quem sabe um futuro. E embora tenha simplesmente 18anos já tenho um passado, passado esse meu, passado esse cheio de sorrisos, lágrimas, enfim… um passado igual a todos, certo? Hoje com 18anos escrevo isto porque cheguei ao ponto onde me olho ao espelho e simplesmente o que vejo é tudo e nada, vejo o reflexo de alguém que tem tudo e não tem nada. Esse reflexo sou eu, esse “triste” sou eu. Ao fim de 18anos revejo cada cena, da mais marcante até á mais banal… dei de caras com o “gostar” de alguém duas vezes. Dei de caras com a traição das duas vezes… chorei em silêncio a partir dos 15anos. Mas até chegar onde cheguei digo com muito orgulho que fui usado (tal como também o fiz), traído, “castigado”, amado, desejado. Fiz parte de pessoas que jamais irei voltar a ver, conheci desde a pessoa mais culta á menos cultural, desde a dita beleza até á “coisa feia”, desde as pessoas de passagem até ás de coração. Simplesmente já perdoei...

Adeus

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Hoje escrevo em despedida, hoje cansei-me do tudo e do nada. Hoje perdi as cores e os sentidos, hoje tomei coragem para abrir uma porta que em tempos trancada esteve. Sim, este texto significa um “Adeus” ou até quem sabe um “Até breve”… o que irei fazer? Nem eu mesmo sei, simplesmente sei do que falo pois eu moro aqui ao “lado”. Nem tudo o que passa por mim tem cheiro e cor, nem tudo o que passa por mim tem sempre sabor, pois é sem cor que eu finjo que não existo, é sem cor que eu finjo que não sinto… pois na realidade sei que as vidas que passam, que nos são contadas por vezes são vidas pintadas assim, são cheias de cor, são vidas que passam sem qualquer sabor. Se a minha cor é o cinzento? Talvez… se irei voltar? Nem o próprio vento o sabe. Simplesmente peço desculpa e agradeço, desculpa por me sentir assim, por ser sem cor que eu finjo que não sinto, por ser sem cor que eu finjo que não existo. Obrigado pelas amizades que fui encontrando ao longo deste caminho. Adeus.

Vazio

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Hoje acordei, olhei em volta e o que vi foi um vazio envolvido num escuro que tomava e toma conta de mim a cada passar do relógio. Pensei que talvez isto tudo fosse influência da chuva, do vento ou talvez do céu cinzento que leva com ele o meu sorriso… hoje voltei ao meu mundo de silêncio e solidão, lá procurei o poço que em tempos me deu conforto mas ele já nada me diz, pois eu mudei. Mudei, pois passei a sentir as pessoas, as cores, o toque e agora o que procuro são respostas. Respostas que talvez o fundo de o poço as tivesse para mim, mas não, a pergunta contínua na minha mente, no meu pensar “o que é o alguém?”. Tentei procurar nos livros, nos sentimentos, nas pessoas, em mim! Mas a resposta é sempre nada, é sempre uma rua sem saída… até que quando realmente olho vejo que “o alguém” esteve sempre comigo… e ainda por vezes está. Mas mesmo assim nada muda, pois algo mudou, algo quebrou os portões do meu mundo, algo acabou com o reino do silêncio e da solidão e agora o que resta é ist...

Puxar

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Neste momento ando sem rumo ou tino, neste momento sou o vazio e a distância, neste momento não sei quem sou… se sou quem te adora, se sou o ser que adoras. O vento puxa por mim e neste momento leva-me de volta ao mundo que jurei não mais voltar, ao mundo onde o silêncio e a solidão reinam sobre um manto de dor, mundo esse que tem como centro o poço que em tempos me dava conforto, poço que me chama para o seu fundo, para o seu leito. Mesmo sendo puxado olho para trás e vejo-te a ti, sim estás presente, sim sinto o teu carinho mas… Mas não sinto o teu desejo, não te sinto quando as lágrimas correm pelo meu rosto. Hoje metade de mim, quer voltar a ser um viajante ao vento, sem rumo… Hoje metade de mim quer continuar a pertencer-te e repetir a palavra “Amo-te”, mas não posso viver nesta constante de constâncias o resto dos dias. Pois embora o sentimento conte, os actos também e são eles que dão mais força aos nossos sentimentos… São simplesmente eles. Podia dizer “esquece” mas não. Estou ...

Xadrez

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Na vida temos escolhas, caminhos, sorrisos, lágrimas, amigos, inimigos… enfim, a pergunta é “o que não temos?” Hoje enquanto ia para casa, olhei para a janela do comboio, sabem o que vi? A vida a passar por mim, por ti, por todas as pessoas que caminhavam ao som de uma música que me consumia naquela viagem. Em que pensava? Bem, pensei nos acontecimentos de uma vida curta, pensei no que seria dos outros o meu desaparecimento. Pensei nas novas e antigas amizades, no novo e antigo amor. “Afinal para que serva este texto?!” perguntam vocês certamente com razão. Podia dizer que este era mais um texto da vida e das suas ditas tristezas, mas não. Este texto é um acumular de lágrimas, onde filmes, pessoas, locais e acontecimentos me deram coragem para voltar a escrever. A vida não é assim tão madrasta, a vida é feita de pequenos nadas, pequenos detalhes como uma simples “olá” um simples olhar, ou até mesmo um banal “não vai dar, esquece…” isto sim é a vida! Um pleno jogo de xadrez onde somos n...

Palavras

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A dor pode ser algo que todos temos em comum. Mas é diferente em cada pessoa. Pois não é apenas a morte que temos de chorar, é a vida, é a perda, é a mudança. E quando nos perguntamos porque tem de ser tão mau de vez em quando, porque tem de doer tanto, temos de nos lembrar que tudo pode mudar de repente. E é assim que nos mantemos vivos. Quando dói tanto que nem conseguimos respirar? É como sobrevivemos. Recordando aquele dia, de certo modo, impossivelmente, não te sentirás assim. Não irá doer tanto. Pois é certo que a dor chega na altura própria para cada pessoa. Ao seu modo. Portanto, o melhor que podemos fazer, que alguém pode fazer, é tentar ser honesto. Enfim… O que é mesmo chato, a pior parte da dor, é que não conseguimos controlá-la. E por isso o melhor que podemos fazer é permitir-nos senti-la quando chega e deixá-la partir quando conseguirmos. Mas no fim de tudo… o pior é que, quando pensamos que já a ultrapassámos, começa de novo. E de cada vez que começa…ficamos sem fôlego.