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Escuro

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É difícil dizer adeus, porém ao longo destes meus 20anos é o que mais tenho feito, e na maioria das vezes sem ter noção disso. Outros por morte, outros por ironia do destino e... e outros que perdi, magoei sem nunca o ter percebido. Talvez por sempre me auto-titular como o Viajante ao Vento, isto acabou por acontecer, porém a realidade é esta... estou sozinho, sem ninguém a quem socorrer.  Já não sei o que é sentir aquele abraço, ouvir aquela palavra, sentir a mão que nos limpa as lágrimas, o rosto que nos faz sorrir... já não sei o que é isso, já não me lembro da ultima vez que me senti bem comigo mesmo. "O que se passou?" pergunto eu neste meu quarto escuro, frio que outrora esteve cheio de alegria, alegria que eu transpirava! Hoje o que vejo é o fato de Carnaval consumido pelo pó, as fotos destruídas pelo frio, as prendas trocadas esquecidas no quanto por baixo de todos os bonecos de uma infância perdida, a roupa vibrante perdida no fundo das gavetas, o quadro do p...

Rotas

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 Ao fim de tanto tempo, continuo aqui, neste mundo. Onde estou? Num mundo onde os sonhos não existem, onde os sorrisos são abafados por gemidos vindos das sombras que se cruzam comigo.  Hoje estou acorrentado ao chão lavado por sangue e recordações... recordações essas que a cada respirar magoam casa vez mais. Durante estes meses olhei para o cima da colina e vi o portão que quebra a barreira dos mundos, ansiei, desejei, implorei por ver aquele sorrio, olhar, por ouvir aquela voz, para simplesmente ouvir o meu nome... Porém tudo o que vi, ouvi foi isto. Silêncio, penso que o próprio destino ou talvez aqueles que eu amo me esqueceram, ou então, simplesmente se perderam no meio da multidão, das suas vidas, todavia o poço diz-me que não, ele murmura "não te resta nada, sempre estiveste sozinho no meio das pessoas, deixa essa ilusão, pois esta é a paga por tudo o que fizeste."  Será? Ao longo deste tempo sempre pensei ser feliz, mas eu desapareci e ninguém dei pela m...

Viajante

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Já algum tempo que não escrevo, já algum tempo que não defino o meu ser. Talvez tenha andado perdido pela multidão, ou simplesmente o vento decidiu levar-me consigo... Não, o vento levou-me e como tal folha caída no chão regressei ao mundo.  Pensei que finalmente estava livre, livre do farto de ser um viajante sem alma ou coração e simplesmente com uma máscara de felicidade que esconde um olhar vazio, um rosto de vergonha e carregado de lágrimas. Mas enfim, viajante uma vez, viajante para sempre. Se é uma maldição? Dádiva? Já não sei, pois os dias passaram a semanas, meses, anos até ao dia que fiz 20anos e tudo voltou.  Acordei, abri a janela e senti aquele vento que me cobriu e consigo levou sonhos, sorrisos, pessoas, até que me deixou assim... agora o que sinto são simples vultos á minha volta, agora o que tenho são meras lembranças que me fazem chorar a cada respirar, pois cada bafo é como uma laminada que percorre os meus braços sem se importar com o sangue que vai ...

"Não voltarei a quebrar"

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Hoje o tempo ficou estático. Estático num compasso sem passo, num alento que habita num desalento… “Será que isto faz sentido?” penso eu, pensam vocês, correcto? Hoje enquanto andei pelas ruas de Lisboa, percebi (novamente) que o tudo e o nada voltaram a perder, em certos momentos, o sentido para mim… este vazio começa, novamente, a ter força, este ânsia de querer e não querer. Olho em volta, o vento parece passar por entre mim, a chuva parece não querer me molhar, as pessoas parecem não me ver… será que voltei a ser o viajante perdido no tempo, perdido no vento? Será que o simples facto de ter quebrado uma promessa feita no meu mundo tem assim este final? Talvez seja este o castigo, o castigo de agora não puder voltar ao mundo onde os sorrisos reinam… Percebi hoje, que afinal sempre vivi aqui, neste mundo onde as sombras são nada mais que o reflexo das pessoas que não me vêm, pois no meu mundo a escuridão ergueu um muro, uma barreira onde jamais nada nem ninguém poderá passar. Uma vez...

Sozinho

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Quantas vezes não dizemos “Antes só que mal acompanhado”? Por vezes dizemos vezes e vezes sem conta. Dizemos a nós próprios, a familiares, amigos, conhecidos, desconhecidos. Ao dizer-mos tal frase por vezes acabamos por sentir um falso conforto, uma leve brisa de ilusão de que estamos bem e que o mundo á volta nada interessa. Pois bem, eu desde pequeno sempre disse que estava bem sozinho, nunca fui para os pátios brincar com as outras crianças… Sempre estive bem sozinho. Hoje aos 19anos, percorro no pensamento toda essa ilusão e percebo que em certos casos simplesmente desisti… Desisti de sorrir, sonhar, de ser eu mesmo. Mas claro que por vezes tentei estar bem sem ser sozinho, e obtive grandes momentos, momentos esses que ainda hoje me fazem sorrir, outros simplesmente me roubam o sono ao anoitecer… Tudo isso fez faz parte do ser humano. Mas hoje ainda digo, “Estou bem sozinho”. Sempre disse que ficaria sozinho e sozinho estou. Há uma razão para eu ter dito que seria feliz s...

Novamente

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Já algum tempo que não sentia esta dor, este vazio… sinto que sou Viajante novamente, o Viajante do vento. O Viajante que habita num mundo onde quem reina é a o silêncio de mãos dadas com a escuridão, sinto que a solidão é quem me vigia. A cada mexer do ponteiro, sinto-me mais frio e sombrio, sinto-me mais enojado de mim… pois é lamentável este sentimento de puro nojo que sinto dentro de mim, angustia, desesperado por algo que não está lá, não existe mais esperança... e quando tudo isso desaparece, sobram me as lágrimas, o meu coração desfeito em pedaços, uma solidão que dói mesmo rodeado de pessoas á minha volta, pois no meio da multidão sou aquele que caminha de cabeça baixa para esconder entre as suas expressões toda a dor que guarda como Viajante que sou novamente e o desespero por ouvir uma palavra amiga, algo que me faça continuar. Em tempos deixei de ser o Viajante ao vento e foi ai que aprendi muito quando foram duros comigo e me expuseram todas as defesas a nú, tal quando algu...

Caminho

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Como qualquer ser humano, tenho um passado, presente e talvez quem sabe um futuro. E embora tenha simplesmente 18anos já tenho um passado, passado esse meu, passado esse cheio de sorrisos, lágrimas, enfim… um passado igual a todos, certo? Hoje com 18anos escrevo isto porque cheguei ao ponto onde me olho ao espelho e simplesmente o que vejo é tudo e nada, vejo o reflexo de alguém que tem tudo e não tem nada. Esse reflexo sou eu, esse “triste” sou eu. Ao fim de 18anos revejo cada cena, da mais marcante até á mais banal… dei de caras com o “gostar” de alguém duas vezes. Dei de caras com a traição das duas vezes… chorei em silêncio a partir dos 15anos. Mas até chegar onde cheguei digo com muito orgulho que fui usado (tal como também o fiz), traído, “castigado”, amado, desejado. Fiz parte de pessoas que jamais irei voltar a ver, conheci desde a pessoa mais culta á menos cultural, desde a dita beleza até á “coisa feia”, desde as pessoas de passagem até ás de coração. Simplesmente já perdoei...